Home NoticiasSylvinho, a Era dos Dados e a adaptação entre clube e seleção

Sylvinho, a Era dos Dados e a adaptação entre clube e seleção

por Peneirabrasil



Aqui o assunto o futebol de selees. Seja na bola alada na rea, ou no chute direto para o gol, o objetivo no ter fronteiras.

A coluna Por Fora da Barreira desta semana vai sair do protocolo. Ao invés da opinião deste que vos escreve, teremos um bate-papo com Sylvinho, técnico que guiou a sensação Albânia à classificação para a Eurocopa deste ano.

Depois de iniciar sua trajetória como técnico principal em Lyon e Corinthians, Sylvinho deu uma guinada de 360º na carreira e aceitou o projeto albanês. Meses depois, o comandante colhe os frutos da vaga na Euro com direito a liderança do Grupo E, que contava ainda com as seleções da República Tcheca e Polônia, esta última fora da Euro.

Os novos tempos

De acordo com Sylvinho, que também foi auxiliar de Tite na seleção brasileira, a realidade impõe desafios diferentes entre clubes e seleções. Uma das missões é aproveitar o melhor possível as novas tecnologias e dados disponíveis. 

Um caso já conhecido na seleção da Albânia foi a descoberta do ponta Jasir Asani através da base de dados da federação do país. O processo consistiu em analisar vídeos curtos, com as característas do atleta, depois jogos através da televisão, para a seguir ver o atleta in loco e, por fim, proceder ou não com a convocação.

“O segredo é a interpretação dos números. Levantar números é ótimo. A evolução nos ajuda demais e sou absolutamente a favor. Agora todos nós que trabalhamos com futebol temos de estar preparados para interpretar os números. A partir daí a coisa ficou menos simples. Da onde vem, como vem, quem é o adversário, o que ocorreu, como ocorreu. Depois é filtrar e trabalharmos em campo”, explicou Sylvinho.

Com mais tempo entre as partidas, com o curto calendário das seleções, Sylvinho explica que se abre uma infinidade de aspectos a serem analisados. O treinador brasileiro até revela que, muitas vezes, é preciso saber estabelecer prioridades e saber a hora de parar. 

“Te deixa mais louco também (a espera pelos jogos de seleção). São dois trabalhos diferentes. O esporte é obviamente o mesmo, mas a gestão é diferente. Imagina você estar com um jogo preparadíssimo e ainda ter mais um mês de trabalho sem os atletas. Então você vai ter que buscar outras formas de gerenciar e ainda entrar em algum detalhe que se permite. Mas atento para não virar (demais). É o que eu percebi na minha experiência”, relatou Sylvinho.

Diferenças e novo perfil dos atletas

O técnico de 49 anos falou também sobre algumas das principais diferenças entre o dia a dia do trabalho em clube e na seleção. Sylvinho aponta que o processo de aprendizado no clube é mais direto, enquanto que na seleção, muitas vezes, a correção é feita mais na base da conversa e com auxílio audiovisual.

“É verdade que num clube você tem imagens dos seus conceitos e do que você quer, o atleta treinando e os erros do atleta treinando no dia seguinte e depois o jogo onde ele errou ou não. Então o processo de aprendizado fica mais curto, porém quando você vai para uma seleção você diz: ‘o tempo eu não tenho’. Então eu vou mergulhar ainda mais nos vídeos”, conta Sylvinho.

De acordo com o treinador, a mudança geracional também tem um peso importante na gestão de um elenco hoje em dia. Os jogadores na seleção da Albânia, por exemplo, recebem instruções diretas e curtas, de forma a ganhar tempo e ter um melhor entendimento.

“Pelo menos metade dos atletas vai passar por um processo de correção (através) de vídeos. Essa é uma geração em que o ser humano não permite mais do que dois, três minutos de vídeo. Você tem que ser muito preciso e saber exatamente o que está falando: ‘Eu sei que o teu time joga desta forma, o teu treinador te pede isso e isso’. Da nossa parte queremos cuidado com esse erro”, continua Sylvinho.

“A gente toma cuidado para não entrar na metodologia do outro trabalho. E o atleta tem que entender que você sabe o que está acontecendo com ele do outro lado. É complexo, é trabalhoso, mas é a forma que se encontra em uma seleção de você ganhar tempo”, finalizou o técnico da seleção albanesa.



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