
Seja no 4-2-4 ou no 5-3-2, atravs de jogo de posio ou jogo funcional, respeitando as diversas formas de ver o futebol. Acreditando sempre na beleza do jogo, e nas diversas interpretaes do mesmo. Falo de ttica tentando fugir do professoral, mas sempre buscando ir alm. Como em uma conversa de bar. Sem espao para a saideira.
Dorival Júnior foi anunciado, de forma discreta, como novo técnico da seleção brasileira nesta quarta-feira (10). O anúncio quase escondido, feito dias depois do acerto através de uma nota curta e grossa, escancara o momento caótico que vive a Confederação Brasileira de Futebol. Perdida, a CBF escolheu um técnico às pressas, depois de não conseguir fechar, como planejado, com Carlo Ancelotti, e sem manter Fernando Diniz no cargo. Depois de um ano jogado no lixo, a CBF tenta um novo começo.
Uma coisa ficou bem clara: a CBF deixou em último lugar o plano tático na hora de definir o novo comandante. Jogou um ano inteiro no lixo e busca recomeçar com um treinador de conceitos bem diferentes do anterior. A CBF trocou o pneu com o carro andando a 200km/h.
Se Diniz se considerava um treinador “aposicional”, mais próximo do jogo funcional que foi base da escola brasileira de futebol durante muitos anos, Dorival é adepto do jogo posicional. Bebeu da fonte de Pep Guardiola quando, antes de assumir o Santos em 2015, fez um estágio no Bayern de Munique.
Thiago Maia, seu comandado no Peixe entre 2015 e 2017 e no Flamengo em 2022, o chegou a apelidar de “Guardiola Brasileiro”. Se Diniz se aproximava mais das ideias de Ancelotti, Dorival usa muitos conceitos que viu serem aplicados com Pep.
Guardiola brasileiro?
Dorival tem uma carreira de mais de duas décadas no futebol brasileiro. Seria impossível uniformizar uma análise sobre seu estilo de jogo. Dorival, ao longo dos anos, se adaptou a diversos cenários, utilizou esquemas variados e, também, se reinventou.
Como falamos, uma mudança decisiva na carreira do técnico foi o período de estágio no Bayern. Seus trabalhos mais vitoriosos, em Santos, Flamengo e São Paulo, trazem algumas similaridades e padrões interessantes para análise.
Dorival gosta de uma saída sustentada, geralmente em 3+2, com dois meio-campistas e um lateral próximos aos zagueiros. O outro lateral avança para jogar mais espetado no ataque (Caio Paulista fez isso no São Paulo, por exemplo, Matheuzinho no Flamengo, Victor Ferraz no Santos…).
A importância dos laterais para o esquema do técnico é, também, interessante de ser analisada. Dorival, com a influência do Bayern, de Pep, implementou no Brasil o conceito de laterais interiores, ou construtores. Jogando por dentro, participando criativamente do jogo. Filipe Luís fez bem isso no Flamengo, Rafinha no São Paulo. E não apenas na primeira fase de construção: no Santos, Victor Ferraz aparecia bem centralizado no último terço.
O técnico espeta sempre dois jogadores nos lados do campo, buscando dar amplitude a suas equipes. Em seus últimos trabalhos, usou quase sempre um lateral (já que o outro jogava mais por dentro) e um ponta. No São Paulo, foram Caio Paulista, na esquerda, e Wellington Rato, na direita.
No meio campo, Dorival gosta de formar um losango, como fez no Fla campeão da Copa do Brasil, e no próprio São Paulo, com Pablo Maia, Alisson, Nestor e Lucas se aproximando no corredor central. Dorival é adepto do jogo posicional mas, no último terço, seus times têm bastante flexibilidade de movimentação para criar tabelas e jogadas de aproximação.
Na fase defensiva, gosta de realizar uma pressão forte pós perda, induzindo o rival a se desfazer da bola sem avançar com qualidade. Gosta de atacantes com intensidade nessa marcação para fazer essa pressão. Com a energia de um Calleri, ou de um Gabigol.
A seleção brasileira é o sonho de uma carreira para Dorival. Talvez tenha chegado no pior momento: com campanha ruim nas Eliminatórias de um grupo que era lapidado através de conceitos bem diferentes dos seus. Em meio ao caos, surge um recomeço, após um ano jogado na lata do lixo. Mas quem sabe depois do temporal, não vem a bonança…
